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Enquanto vivemos,
façamos o bem! |
Dom Orani
segunda: 15 de outubro de 2007
Vivemos mais um Círio! Muitos já disseram
que só mesmo vivenciando esse acontecimento
é que poderemos saber o que ele significa.
Não temos como descrever a força de uma
tradição de 215 anos alicerçada em uma
devoção de mais de 300 anos.
Não temos como escrever a história de nossa
região sem o episódio de Plácido, que
encontra a imagem de N. Sra. de Nazaré no
Igarapé, que ficava no local onde está
construída hoje a Basílica, Santuário e
Matriz de N. Sra. de Nazaré. O episódio se
perde na penumbra dos tempos e nos poucos
dados históricos. Ficamos mais nas
descrições dos episódios ligados a esse tipo
de descoberta, contados pelos devotos que
conservaram essa história para a
posteridade.
O que sabemos é que a presença da imagem de
N. Sra. de Nazaré marcou a nossa maneira de
ser e temos conservado muitos valores até
hoje: a valorização da família, o
acolhimento terno, a religiosidade e fé numa
abertura de simplicidade, o valor da vida e
a vida de oração. Isso tudo além das
tradições culturais, gastronômicas, sociais
e humanas que conservamos, apesar da
mundialização ou globalização que nesses
últimos 60 anos têm mudado as culturas,
religiões, e mentalidades.
Dentre os fatores de nossa identidade está
presente esse fenômeno da bela Mãe de Jesus,
nosso único Senhor e Salvador, que também
no-la deu por mãe no alto da cruz, na pessoa
do apóstolo João.
A primeira cristã, Maria, é a aurora da
salvação que anuncia que o Sol da Justiça, o
Cristo, está chegando! É ela que, aceitando
ser a Mãe do Senhor, nos dá o Salvador do
mundo, que João Batista já percebe no ventre
de Isabel.
Vivemos um mistério inexplicável! Nossos
olhos nesses dias, e em especial desde
sexta-feira última às 12 horas, quando
partimos para o translado para Ananindeua,
até neste domingo por volta das 13 horas, a
imagem, ícone de uma tradição de séculos,
que representa Maria, a mãe de Jesus, que
caminha com o seu povo intercedendo pelos
seus filhos para que a “água se converta em
vinho”, que nossas vidas experimentem as
mudanças necessárias para sermos o povo de
Deus – sal, luz e fermento de um novo tempo!
O Pará, com a sua capital Belém, atrai a
todos com a vivência do Círio de Nazaré! São
momentos que trazem as tradições sadias à
nossa mente e coração. Eis a oportunidade
para acolhermos novamente o bem, o bom e o
belo!
O nosso grande desafio é fazer com que as
emoções e registros do Círio deste ano
tornem-se sempre mais e mais uma presença
constante em cada dia de nossas vidas.
Os romeiros que vêm de longe, os
promesseiros da corda, os que participam com
entusiasmo desses momentos nos fazem pensar
em como precisamos nos aprofundar em nossa
fé. Como é bom podermos agradecer ao Senhor
por todos os dons e graças!
Com muita alegria, abençôo e abraço-o em
Cristo desejando um Feliz Círio
* Dom Orani João Tempesta, O.Cist. é
arcebispo de Belém (PA) e presidente da
Comissão Episcopal para Cultura, Educação e
Comunicação da CNBB
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