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Estatuto da
Criança e do Adolescente |
Estatuto da Criança e Adolescente: Mais Que
Uma Lei, É Um Compromisso!
Lei 8069/90, de 13 de julho de 1990.
O ano de 2008 sinaliza uma importância muito
grande para a nossa caminhada, nesse
processo de transformação e defesa de
direitos.
Não se pode deixar de registrar os 60 anos
da Declaração Universal dos Direitos
Humanos, de 10 de dezembro de 1948. Visto
que apesar de haver mais de meio século de
vigência dessa Declaração, o mundo todo
assiste, diariamente, fatos bárbaros de
violação e desrespeito contra a dignidade
humana, sobretudo, dos mais empobrecidos.
Com a realização da 6ª Assembléia Nacional
da Pastoral do Menor, em maio passado,
concluiu-se a grande celebração de ação de
graças pelos 30 anos de presença desta
pastoral na Igreja do Brasil. Vale destacar
que a Assembléia elegeu como prioridade a
luta pela difusão e implementação do ECA,
para o próximo triênio, em todo o Brasil,
por entender que ele constitui um importante
instrumento de mobilização social e mudança
da cultura, da mentalidade e do paradigma
político.
Outra marca significativa, em 2008, é a dos
20 anos da nossa Constituição Federal. Uma
das Cartas Magna mais próxima dos nossos
sonhos. Por força dessa Lei muitos sujeitos
emergiram na história.
É oportuno destacar a grande marca deste ano
para a vida das nossas crianças e
adolescentes. São 18 anos de uma grande
conquista que dividiu a história
contemporânea de luta pela garantia dos
direitos, em dois tempos. Sem dúvidas, essa
conquista sinaliza um tempo novo, o tempo de
graça da parte do Senhor. O tempo sonhado
pelo Profeta Isaías: “O novo céu e a nova
terra”, (Is 65).
Antes da chegada do ECA – num primeiro tempo
– temos nossas crianças e adolescentes
brasileiros sendo reféns da perversidade da
própria lei, que se alimentava dos regimes
faraônicos, heroditos e milicos. O Brasil
passa pela terrível experiência de mais de
três séculos e meio de escravidão e logo em
seguida é vítima do golpe militar. Logo, a
escravidão e o referido golpe são os dois
principais regimes responsáveis por gerarem
meninos e meninas de rua, tendo o “amparo”
legal do Estado. O século XX, por volta dos
anos 60, 70 e 80, coloca o Brasil como
manchete mundial de violação e extermínio de
meninos e meninas de rua. Em nome da lei era
permitido matar, era permitido prender, sob
o pretexto da situação irregular da própria
criança que era vítima e “culpada”, e não o
Estado ou a família que falharam com suas
responsabilidades.
Não foi fácil, de forma alguma, a travessia
para o segundo e novo tempo, o de conquistar
esta nova Lei. Isso custou energias, ideais,
sonhos, suor e sangue de mulheres, homens,
crianças e adolescentes que demonstraram
amor pelo Brasil, amor à humanidade, amor a
Deus, doando suas vidas. E no dia 13 de
julho, esta Lei de n. 8069/90, revestida de
sonhos, entra para a maioridade. Têm-se,
portanto, a Doutrina da Proteção Integral. E
por não ser ela uma proposta sonhada pelos
poderosos também não encontra espaço na
“democracia” da política brasileira.
Não somos hoje, admitimos, a mesma sociedade
que lutou, mobilizou, gritou, marchou e
conquistou o ECA. Se assim fosse, não
teríamos a decepção de assistirmos o descaso
e o escárnio da parte dos “responsáveis”
pela promoção da cidadania e da justiça,
nesses 18 anos. Esta omissão e apatia da
sociedade é o resultado da estratégia do
Estado que não quer ser provocado e nem
cobrado da sua responsabilidade. O Estado e
a mídia, hoje, possuem todos os meios
capazes de ignorantizar e bloquear as
possíveis forças que reagiriam a esse modelo
antidemocrático. Sabe-se que o Estado
divide-se em três poderes distintos, que ao
mesmo tempo são comprados e subornados pelo
poder econômico em prejuízo da dignidade e
da promoção da vida em todas as suas
manifestações. Além da banalização da vida
eles conseguem – com o “poder” da mídia –
condenar e responsabilizar os pobres pelo
aumento da violência, jogando toda culpa no
Estatuto e nos Direitos Humanos.
A grande novidade acenada pela Constituição
Federal, (Art 204, II) e absorvida pelo ECA,
é a da participação popular nos espaços de
decisões, como os Conselhos de Direitos, nos
mais diversos níveis, sem desconsiderar os
Conselhos Tutelares. E hoje, em razão do
desconhecimento da Lei, por parte da
população esses espaços sofrem o abandono do
Estado, que por sua vez trata de
inviabilizar todo o processo de participação
nesses espaços. Nossas Comunidades,
Pastorais e Movimentos sociais pouco
discutem sobre isso, sentindo-se cada vez
mais despreparados e enfraquecidos.
Em outros tempos a sociedade seria capaz de
se impor para fazer valer seu direito de
participação.
E de quem é o ECA? Ele é da sociedade
brasileira de ontem, de hoje e de sempre.
Mas para efetivar essa pertença é preciso
sonhar e lutar como nossos antepassados
fizeram, a fim de que as presentes e futuras
gerações experimentem o SONHO DE DEUS. O
sonho de um Brasil e de um mundo semelhantes
à Terra Sem Males.
E antes de finalizar, vale recordar outra
grande importância deste ano de 2008. É ano
de Eleições Municipais, a mais importante
das eleições, porque é no Município que nós
vivemos e que as Políticas acontecem
concretamente. Omitir-se ao voto é como
assinar um cheque e deixar que um
desconhecido preencha-o e gaste-o como
quiser. Seu Voto Vale Vidas!
José Aparecido de Oliveira,
Setor Criança e Adolescente /Proj Pe
Ezequiel – Diocese de Ji-Paraná
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