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05 Dec 2008 - CNBB
Dom Orlando Brandes
Em 2008 vivemos a Campanha da Fraternidade
sobre a Vida: “Escolhe, pois, a vida” (Dt
30,19). Natal é a história de uma
fecundação, de um feto, de um embrião que
foi gerado, cuidado, amado. Natal é festa de
uma gravidez levada até o fim, mas que
correu o risco do aborto. A mulher que
engravidava fora do casamento em Israel,
deveria ser apedrejada. Se os pais de Jesus
não fossem pessoas de fé, teriam recorrido
ao aborto para salvar uma situação bem
constrangedora.
Natal é um parto, um nascimento, mais ainda,
o aniversário de uma vida fecundada, gerada
e nascida. Todo o tempo do Advento,
corresponde à expectativa da criança, do
nascituro da gravidez de Maria. Santo
Agostinho diz que toda a história humana
está grávida de Jesus. Nossas almas e nossos
corações estejam grávidos da graça de Deus,
sejam os novos úteros de Jesus, seus mais
autênticos presépios. O primeiro útero que
nos gerou, é o seio da Trindade como dizem
as Escrituras: “Com amor eterno eu te amei”.
Natal é deixar Jesus nascer nas áreas ainda
feridas ou paganizadas de nossa
personalidade. Natal é nascer e renascer.
Que a vida de Jesus possa tocar e
influenciar nossas existências. Podemos ser
novas criaturas. Cristo nos dá um novo ser.
No Natal de Jesus, lembramos de todos os
agentes da saúde: parteiras, médicos,
enfermagem, bombeiros, socorristas que
ajudam as crianças nascer. As mães grávidas
e as parturientes, são “deusas de vida” e
seus úteros são verdadeiros altares e
presépios da vida. Toda vida é dom de Deus.
Ele é “amigo da vida” (Sab 11,26).
Natal é aniversário de Jesus. Cresçamos com
Ele em estatura, sabedoria e graça. Sejam
nossas famílias ninhos da vida. A família é
o “útero espiritual”, onde os filhos crescem
e amadurecem. Nós que defendemos em nossa
legislação até os “ovos da tartaruga” em
defesa da ecologia, não esqueçamos da
ecologia humana, ou seja, da defesa do “ovo
humano”, a origem da vida na fecundação.
Natal, festa da vida, mostra a que a vida
deve transmitida, gerada, nascida, cuidada e
consumada. Natal recorda a sublimidade da
paternidade. Que os pais e mães reaprendam a
gerar filhos. A vida é beleza vamos
admirá-la; é bem-aventurança, vamos
saboreá-la; é sonho, vamos concretizá-lo; é
desafio, vamos enfrentá-lo; é dever, vamos
cumpri-lo; é tesouro, vamos cuidá-lo; é
mistério, vamos descobri-lo; é amor, vamos
venerá-lo.
Neste Natal, festa da vida, lembremos os Dez
Mandamentos do Motorista, para que a vida
seja respeitada no trânsito. Lembremos que a
doação de órgãos é um gesto de nobreza e
humanismo. Lembremos que a nossa genealogia
está no coração de Deus. Existimos porque
somos amados. “Sou amado, logo existo” (G.
Marcel). A experiência mais intensa e
profunda que podemos fazer é saber e crer
que somos amados.. “Antes da criação do
mundo, Deus nos escolheu para sermos santos
e íntegros, no amor” (Ef 1,4).
A vida é dom, maravilha e compromisso. É o
bem primário e fundamental que se não for
respeitado leva à ruína todas as
instituições. Sim, a vida obedece à lei da
vibração, da evolução e da harmonia. Tudo
deriva de Deus, o Senhor da vida, que tanto
nos amou que nos fez a dádiva da vida de seu
Filho, nascido em Belém. A vida se
manifestou. Apalpamos, tocamos a vida na
pessoa de Jesus. Nasceu-nos um Menino, é
festa da vida.
O Natal mudou a vida de José e Maria. Eles
queriam casar-se, ter filhos, já eram
noivos. Agora irão viver como irmãos,
casados no civil, na obediência da fé, sua
vida é totalmente tomada por Deus. O Natal
mudou a vida dos pastores. Eles eram gente
de má fama e pobres. Foram os primeiros
convidados para ir ver o menino, Pastor dos
pastores. Igualmente o Natal mudou a vida
dos magos. Deixaram a magia para seguir a
luz verdadeira, Jesus de Nazaré. Por isso,
voltaram por outro caminho.
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