|
Quem
não se lembra do grande “alvoroço” ocorrido
há 09 (nove) meses, dada a brutalidade
cometida contra o garoto João Hélio, de 6
anos, no Rio de Janeiro, em 07 de fevereiro
/2007? Todos lembramos com muita tristeza da
tragédia que abalou-nos profundamente.
Afinal, era uma criança indefesa, amarrada
pelo cinto-de-segurança e arrastada por um
veículo, em alta velocidade, dirigido pelos
assaltantes. Só não se comove quem não tiver
senso de humanidade. Portanto, é
corretíssima a punição dada aos assassinos
que praticaram tal crime violento. Sabe-se
que houve, nesse crime, a participação de um
adolescente de 17 anos. Pela Lei, este
adolescente, também, já responde por seus
atos e em regime fechado, se for o caso.
Impõe-se a este o dever de cumprir a Medida
Sócio educativa de Internação. A referida
Medida deve ser cumprida pelo tempo que
determinar o Juiz, sem as vantagens da
redução de pena e sem o famosíssimo
pagamento da fiança, como geralmente ocorre
no sistema penal do adulto. Nem por isso, o
infrator é colocado em qualquer lugar e de
qualquer jeito.
Bom, saindo do mérito em questão e indo para
a esfera sociológica, sabe-se que o garoto
João Hélio não era um “Joãozinho” somente, e
que por conta da posição social da família e
seu nível econômico o fato tomou dimensões
extremas, onde a mídia “comprou” a causa na
intenção absoluta de forjar uma situação que
está completamente fora do que determina a
Legislação brasileira, pois fere o Princípio
das Garantias individuais, assegurados na
Constituição Federal: trata-se de forjar o
rebaixamento da maioridade penal de 18 para
16 anos. Querem, os extremistas, tapear-nos
com o falso argumento de que isto é
suficiente para solucionar, de forma rápida,
o drama da violência no Brasil. Como se a
cadeia fizesse distribuição de renda,
reforma agrária, combatesse a injustiça
social, a fome, a pobreza e a miséria neste
País.
A grande tristeza é saber que atitudes como
estas, tem o aplauso da maioria da
população, mesmo de gente explorada e
oprimida pelo sistema: uns por ignorância,
outros por maldade no coração e outros ainda
por alienação. Gente que não aprendeu a
pensar com a própria cabeça e acaba
“engolindo” tudo o que é despejado pela
televisão, rádio e jornais.
Agora vem o mesmo peso e outra medida. Há
quase um mês, ocorreu outra tamanha
brutalidade em Abaitetuba – PA, quando uma
adolescente (L), de 15 anos, foi brutalmente
jogada na cela junto com 20 homens presos,
adultos, onde permaneceu por um mês. Este
fato talvez nem 10% (dez por cento) da
população brasileira esteja sabendo, pois os
poucos anúncios dados foram frios e sutis, a
fim de não causar nenhuma repercussão mesmo.
Ainda mais, considerando que o “criminoso”,
neste caso, é o próprio Estado. Agora, quem
vai contra o “bandido”? Quem vai mandar
prendê-lo? Quem vai inflamar a população com
o pedido de pena de morte?
Diante disso, presenciamos os Poderes
Públicos constituídos calados, a mídia se
mantém em total silêncio e o caso é
cinicamente, por eles acobertado. E aí, não
é só porque o Estado seja o principal
responsável, mas porque a vítima, neste
caso, é filha de pais pobres, sem dinheiro
para bancar “bons” advogados e vive no
interior e no norte do País. Região esta que
a elite do sul e sudeste ignora como sendo
Brasil. Mas é bom que todos fiquem sabendo
que este fato já tornou-se conhecido
internacionalmente; e que fora do Brasil já
causou enorme indignação nas pessoas; e que
de lá para cá, já vieram muitas notas de
repúdio contra o Estado e seus responsáveis,
tanto do âmbito estadual quanto federal.
Graças a Igreja da Região Norte (CNBB Norte
2), que como mãe dos pobres, divulgou uma
nota pública repudiando a atrocidade
praticada e o descaso do Estado.
Mesmo assim, ainda vejo-nos muito
acomodadinhos, enquanto cristãos e cidadãos
do Norte. Cadê nossa voz? Cadê nosso grito
de repúdio? Cadê nossa indignação? Onde foi
parar nossa sensibilidade humana? Permanecer
calados diante do escândalo é cometê-lo
também. Portanto, ficamos em pé de igualdade
com o Estado criminoso e com a mídia aliada
aos ricos e poderosos. Nosso fermento e o
fermento deles não tem nenhuma diferença.
José Aparecido de Oliveira,
Setor Criança e Adolescente
Projeto Pe Ezequiel
|